INFORMAÇÃO AO MÉDICO
A COLETA DO LÍQUOR



COMPLICAÇÕES DAS PUNÇÕES
  1. sangramento é a complicação imediata mais freqüente das punções. Resulta do dano provocado pela agulha em pequenos vasos da aracnóide. Isso acontece com maior frequência quando se atinge o espaço sub-aracnóideo lateralmente ao plano de punção, que é mediano. Em geral, estes sangramentos são discretos e não exigem cuidados especiais.

    • sangramento por punção arterial constitui séria complicação da punção SOD, determinando a imediata instalação de quadro de hemorragia sub-aracnóidea traumática. Neste caso devem ser tomadas imediatamente as medidas de emergência neurocirúrgica.
  2. cefaléia ou lombalgia pós-punção lombar;
  3. dores em membros inferiores pós-punção lombar em crianças.

CEFALÉIA OU LOMBALGIA PÓS-PUNÇÃO

Cefaléia do tipo ortostático, isto é, que piora na posição erecta e que alivia com o decúbito pode ocorrer. Ela é também denominada cefaléia pós-punção por hipotensão do LCR.

O tratamento mais eficaz deste tipo de cefaléia é:
  1. manter o paciente em repouso, deitado, por 48 horas. Se necessário, este período pode estender-se até 4 dias;
  2. uso de cinta abdominal desde o aparecimento da cefaléia, por 4 dias;
  3. uso de medicação oral com ação vascular: (a) cafeína – 300 a 400 mg/dia, associada ou não a analgésicos; (b) aminofilina
    – 100 mg 3 vezes por dia;
  4. blood-patch (injeção de 10 a 20 mL de sangue do próprio paciente) no espaço peridural, próximo ao local da punção.
    – vemos com reserva a utilização indiscriminada e precoce desta medida terapêutica.
    – o blood-patch foi introduzido na prática em 1960 e seu uso tem sido recomendado desde então, com indicação criteriosa.
    – Trata-se de recurso invasivo cuja utilização deve ser reservada para situações em que não houve resposta às outras medidas.

É descrita, muito raramente, a ocorrência de cefaléia paradoxal pós-punção: o paciente tem cefaléia em decúbito, melhorando quando fica em pé. O mecanismo da cefaléia paradoxal é desconhecido.

Embora mais freqüente que a cefaléia pós punção, a lombalgia apresenta mecanismo fisiopatológico semelhante, melhorando significativamente com o repouso. O tratamento é semelhante àquele preconizado para a cefaléia pós-punção.


DORES EM MEMBROS INFERIORES, SOBRETUDO EM CRIANÇAS

Ao contrário do que é referido habitualmente, a hipotensão do líquor ocorre também com frequência em crianças, como pode ser comprovado em casos de meningites de etiologia não esclarecida, quando é necessário repetir o exame 24 horas após a primeira coleta. Nestes casos, a colheita de líquor costuma ser muito dificultada, devido exatamente à hipotensão liquórica.Esta hipotensão raramente causa cefaléia abaixo dos 12 anos de idade. Entretanto, podem ocorrer nestes pacientes, com relativa freqüência, dores radiculares acometendo ambos os membros inferiores.

Estas dores ocorrem após a colheita do LCR, podendo ser de forte intensidade. Costumam ser bilaterais e acontecem mesmo quando não há trauma durante o ato da punção, o que torna improvável serem devidas a irritação radicular causada pela agulha durante a punção. O fato de melhorarem com o decúbito e com medidas expansoras de volume, sugere tratar-se de manifestação decorrente de hipotensão do LCR.

O anexo 2 apresenta o conjunto das recomendações fornecidas ao paciente após o ato da punção.

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