INFORMAÇÃO AO MÉDICO
A COLETA DO LÍQUOR



DURANTE A PUNÇÃO

CARACTERÍSTICAS PARTICULARES DO EXAME DE LÍQUOR

É importante manter o paciente informado acerca do que está acontecendo durante a punção. Uma vez que, nesta fase, não costuma haver desconforto significativo, o paciente deve ser estimulado a referir queixas como dor ou parestesias durante a coleta.

A ocorrência destas queixas evidencia colocação não-ideal da agulha, que poderá ser reposicionada ou não dependendo da intensidade das queixas (não há riscos para o paciente) e do grau de interferência na coleta da amostra.

Após reposicionamento da agulha, a persistência de dor radicular, ora de um lado, ora do outro, ora na região perineal, sugere fortemente a ocorrência de raízes “ancoradas”, ou seja, a presença de elemento físico (tumor, granuloma ou aracnoidite) que limita a mobilidade das raízes nervosas na região lombo-sacra. Nessas circunstâncias, não se deve insistir na punção, devendo o médico assistente ser informado acerca do ocorrido.


HOUVE ACIDENTE DE PUNÇÃO? (LCR HEMORRÁGICO)

Havendo sangue na amostra de líquor, é de grande importância tentar esclarecer se este sangramento é acidental (relacionado ao ato da punção) ou se corresponde a hemorragia subaracnoidea (HSA). A experiência e a segurança de quem pratica a punção exercem papel relevante para caracterizar se o sangramento é acidental ou não. O médico deve considerar a dificuldade da punção ao interpretar a ocorrência do sangramento. Coleta-se o LCR em tubos incolores e transparentes, estéreis, vedados por material que, em contacto com líquidos, não desprenda pigmentos ou partículas.

  • havendo saída de LCR hemorrágico, a amostra deve ser coletada gota-a-gota em tubos sucessivos (prova dos três tubos). No sangramento dependente da punção há diminuição progressiva da intensidade da hemorragia, do primeiro ao último tubo (prova dos três tubos positiva);
    - este critério não é absoluto: a prova dos três tubos pode ser positiva em casos de HSA por aneurismas da região infratentorial;
  • além da prova dos três tubos, é considerado como critério auxiliar para caracterizar o sangramento de punção a formação de coágulo na amostra.
    - entretanto, quando a hiperproteinorraquia é intensa, a amostra pode coagular (síndrome de Froin), com ou sem a presença de hemácias. Por esse motivo, nem sempre a coagulação da amostra é sinal de acidente de punção;
  • em situações muito particulares e raras, havendo sangue na amostra de LCR, o médico deve avaliar a oportunidade de colher nova amostra em outro local do sistema LCR;
  • a caracterização final de sangramento acidental deve levar em consideração outros dados do exame: (a) a presença de xantocromia, sobretudo quando apresentar valores significativamente mais elevados do que aqueles esperados em função do número de hemácias, no caso de sangramento acidental; (b) a presença de macrófagos com pigmento hemossíderótico nos macrófagos, que sugere fortemente a ocorrência de HSA.
    - entretanto, é oportuno lembrar que, em recém-nascidos e em pacientes com icterícia, a xantocromia pode resultar da passagem de pigmentos do sangue. Nestes casos, a xantocromia não pode ser associada à ocorrência de HSA.

ENCERRANDO O ATO DA PUNÇÃO

Finalizada a colheita, o mandril é recolocado antes da retirada da agulha. O ato de punção é encerrado e a agulha é retirada só após verificar o aspecto do LCR e acondicionar adequadamente a amostra colhida.

Esses cuidados devem preceder a retirada da agulha, que encerra a punção. Eles são essenciais para garantir o adequado exame da amostra desde sua etapa inicial, a de determinar seu aspecto e cor.

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